Caso Arthur: MP denuncia homem por criar chave PIX falsa para desviar doações para o tratamento de criança com doença rara
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Família de Arthur Jordão alerta sobre golpe com nome da campanha em Sorocaba (SP) e reforça chave PIX correta para a doação
arthursorocaba/Instagram
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou um homem de 22 anos, morador de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, por estelionato. Henrique Santos de Moreira é acusado de criar uma chave PIX falsa para se apropriar de doações destinadas à campanha que arrecada recursos para o tratamento de Arthur Jordão Lara, de Sorocaba (SP), criança diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne.
Segundo a denúncia, Henrique registrou em sua conta bancária a chave PIX salve@arthursorocaba.com, semelhante à divulgada oficialmente pela família nas redes sociais, salve@arthursorocaba.com.br. Com isso, ainda conforme o MP, ele induziu doadores ao erro e recebeu transferências indevidas.
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Família de menino com doença rara alerta para golpe com nome da campanha
De acordo com o Ministério Público, em 11 de novembro de 2025, uma das vítimas transferiu R$ 50 acreditando contribuir com a campanha. Já em 30 de dezembro de 2025, outra vítima fez uma doação de R$ 300 para a mesma chave fraudulenta. O valor total obtido pelo acusado foi de R$ 350.
O MP afirma que Henrique agiu por duas vezes com “artifício fraudulento” e pede sua condenação com base no Código Penal. A promotoria também solicitou que ele seja citado para apresentar defesa e que seja fixado o valor mínimo de R$ 1 mil como indenização pelos danos causados.
A denúncia destaca que, embora o montante desviado seja pequeno, o caso tem grande repercussão social, já que a campanha oficial arrecadou cerca de R$ 17 milhões para custear o tratamento da criança.
O g1 tentou contato com a defesa de Henrique, mas o nome da pessoa que falava por ele não estava vinculado ao caso no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O TJ confirmou que ninguém está cadastrado no processo para a defesa do denunciado.
Família alertou para golpes
A família de Arthur Jordão alertou sobre a ação de estelionatários que estariam usando o nome da campanha para aplicar golpes em Sorocaba. O alerta foi divulgado nas redes sociais.
Segundo a publicação, criminosos estariam criando e compartilhando chaves PIX falsas, alegando que as doações fariam parte da arrecadação destinada ao tratamento da criança.
Arthur foi diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara, progressiva e degenerativa. Para o tratamento, ele precisa de um medicamento de alto custo, que ainda não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A família orienta que, antes de realizar qualquer doação, os interessados verifiquem se estão utilizando a chave PIX correta e confirmem se o nome exibido como destinatário é Arthur Jordão Lara.
Caso de Arthur
A família do menino entrou com um processo na Justiça para tentar conseguir o medicamento, que custa R$ 17 milhões.
A DMD é uma doença genética degenerativa e progressiva que afeta os músculos esqueléticos, cardíacos e o sistema nervoso.
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Conforme a família, no diagnóstico, a previsão é que a evolução da doença trará a perda da capacidade de andar aos 11 anos, o uso de respirador aos 20 anos e a morte aos 30 anos.
A fraqueza muscular que acomete pacientes com DMD é causada por uma mutação genética que impede o corpo de produzir distrofina, proteína que estabiliza a membrana dos músculos e atua como amortecedor quando eles se contraem. Sem ela, os músculos enfraquecem e se danificam, perdendo a capacidade de se reparar após lesões.
A Anvisa concedeu, em caráter excepcional, o registro do primeiro medicamento de terapia gênica aprovado no Brasil para tratar crianças com distrofia muscular de Duchenne. A indicação, porém, é restrita a pacientes que andam de forma independente, sem cadeira de rodas ou andador, e que tenham entre quatro e sete anos de idade.
Arthur Jordão, de cinco anos, morador de Sorocaba (SP), convive apenas com os pais e em isolamento para não contrair doenças
TV TEM/Reprodução
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